Ameaçada de extinção no final dos anos 1980, a arara azul virou símbolo do Pantanal depois que uma apaixonada por essas aves, a bióloga Neiva Guedes, resolveu dedicar-se à luta pela preservação da espécie ao criar o Projeto Arara Azul no Mato Grosso do Sul. De pouco mais de 1.500 exemplares naquela época, a população saltou para mais de 5.000, segundo estimativas atuais.

“Digo que foi paixão à primeira vista. Quando fiquei sabendo que ela estava ameaçada de extinção e que poderia desaparecer, eu disse que iria salvá-la”, afirma Neiva. Segundo ela, essas aves quase desapareceram principalmente devido ao tráfico de animais, às queimadas e à caça, já que suas penas são muito usadas por indígenas na elaboração de cocares. Para mudar esse cenário, as dificuldades foram muitas. “Quando comecei esse trabalho não existiam técnicas para subir em árvores, para manusear as aves, eu não tinha uma equipe e também faltava dinheiro”.

Hoje, o projeto monitora e recupera aves e seus ninhos, promove atividades de educação ambiental e preservação, além de workshops sobre consciência ambiental, cidadania e geração de renda para a população local. Para ampliar os trabalhos, foi inaugurado neste mês em Campo Grande, com apoio da Fundação Toyota, o Centro de Sustentabilidade do Instituto Arara Azul, onde estudantes e pesquisadores poderão buscar informações e dados científicos.

A intenção do centro também é proporcionar um novo tipo de turismo na região, o de informação e observação das araras na cidade e no Pantanal, principalmente no período de reprodução. “A Fundação Toyota do Brasil, acreditando na seriedade do trabalho e dos profissionais envolvidos, investe no projeto para a multiplicação e perpetuidade dos ótimos resultados que têm sido apresentados”, diz Ricardo Bastos, diretor-presidente da fundação.

Dificuldades na preservação
A iniciativa, que comemora 24 anos, monitora aproximadamente 3.000 aves, que vivem em cerca de 455 ninhos espalhados por 57 fazendas, situadas nas regiões de Miranda e Aquidauana e nos municípios de Bonito e Jardim, no Mato Grosso do Sul. A base é o Refúgio Ecológico Caiman de propriedade do empresário Roberto Klabin.

Boa parte dos ninhos está localizada em regiões de difícil acesso e para facilitar o trabalho a equipe de biólogos utiliza picapes cedidas pela Fundação Toyota. Para analisar os ovos e registrar o nascimento de novos filhotes, os biólogos usam técnicas de rapel para chegar aos ninhos, que ficam a uma altura entre 15 e 20 metros. Ninhos artificiais foram instalados em árvores para ajudar na reprodução, o que garantiu bons resultados. “Notamos que depois de instalados, logo eles são ocupados pelas araras”, disse Neiva. Já os ninhos naturais são encontrados em sua grande maioria em uma única espécie de árvore, o manduvi.

Mas a perpetuação da espécie é um processo lento. A reprodução das araras azuis começa entre 8 e 9 anos de idade com casais fiéis e permanentes por toda a vida. A fêmea coloca em média dois ovos a cada dois anos, mas em geral só um filhote sobrevive. Depois de ficarem três meses no ninho, os filhotes aprendem a voar, porém continuam dependentes da alimentação dos pais até os seis meses. As aves comem castanhas de duas espécies de palmeiras, o acuri e a bocaiuva, cujo projeto também ajuda na preservação.

Só é possível distinguir o macho da fêmea depois da coleta de material genético para análise. Quando adultas, as aves chegam a medir até 1 metro de altura e a pesar 1,3kg.

Quem tiver interesse de participar da preservação das araras azuis pode entrar em contato com o instituto, que aceita doações de dinheiro ou de material e também promove a “adoção” de ninhos e araras. Outras informações podem ser obtidas no site da instituição.

 

Fonte: www.terra.com.br

Foto: Portal Brasil

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